Antes de mais a Feiticeira pede desculpa pelos termos usados, mas são puramente técnicos e aplicados de forma científica. Hoje a temática é sobre o comportamento sexual – o voyeurismo.
Então, qual é o âmago deste modo de agir? Para situar a temática é importante perceber um pouco mais sobre o comportamento sexual.
Segundo Ann Gadd e tocando nas teorias de Freud existem diversos desvios sexuais, desde a xenophilia, plushophilia, harpaxophilia, e mais uns quantos um tanto bizarros. Enfim… vamos é centrar-nos na temática deste artigo. No entanto é importante recuar na árvore genealógica, ou seja, aos nossos ascendentes. A atitude dos pais em relação ao sexo devido aos seus próprios assuntos enigmáticos, parte do comportamento sexual designado de invulgar passa de uma geração para a outra, pela razão de que ninguém os aborda abertamente. Assim, o sexo torna-se num desejo vergonhoso em vez de ser um desejo saudável, feito para apreciar. A vergonha que começa na infância é o que mais contribui para a formação da maioria dos hábitos sexuais. Bem… exposto esta breve introdução passaremos ao ponto fulcral da questão.
A excitação sexual do voyeur deve-se ao facto de poder visionar a intimidade alheia, ou seja desde o simples facto de ver outra pessoa a despir-se, tomar banho, em roupa íntima e em muitas outras situações mais arrojadas e do foro privado. A atitude do voyeur é ser observador sem ser observado de forma a não precisar de ser íntimo. E para este estímulo sexual exista requer uma série de artefactos usados pelos voyeurs, desde as câmaras de vídeo, filmes, etc. E porquê? Porque observam as emoções e a experiência mas não fazem parte dela.
O voyeur tem grande poder de controlo física e mental, porque não arrisca nada de si mesmo, ou seja, ele observa e alimenta-se da situação mas não dá nada de si próprio. É a gratificação sem ter que participar com nada e um modo de observar sem ter que revelar o seu eu mais interior. E isto deve-se a ter sido obrigado a reprimir a sexualidade em criança e não saiba exprimir-se emocionalmente.
Para terminar, este comportamento de observador é uma forma de ter experiência sem risco de perder o controlo. Este campo de visão da intimidade pode levar a querer experimentar em primeira-mão
A Feiticeira
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo"
'F.Pessoa'
beijokas